Quinta, 09 Novembro 2017 17:44

Tumores do sistema musculo esquelético

Os tumores do sistema músculo esquelético são raros. Representam 3% dos tumores em geral e 1% do atendimento do ambulatório de ortopedia.

Como surgem estes tumores?

Os tumores são resultados de vários erros na transcrição de DNA. Quando a célula produz um erro na transcrição do DNA normalmente existe um mecanismo celular que repara este erro, quando este mecanismo falha a célula deve ser destruída (apoptose). Quando esta célula não é destruída, ela passa a multiplicar fora do controle e forma o tumor. Que pode ser maligno (câncer) ou benigno.

Os tumores malignos (câncer) são definidos como tumores agressivos no local onde surgem e tem capacidade de disseminar-se e implantar em outros órgãos. Estes implantes são chamados metástase. Os tumores benignos são tumores que pode ou não ser agressivos localmente, porém não tem capacidade de apresentar metástase.

Quando suspeitar que estamos diante de um paciente com tumor?

Nos tumores ósseos malignos ou benignos agressivos, normalmente o primeiro sintoma é a dor. Esta dor no inicio é leve, melhora com analgésicos comuns e a medida que evoluem, passam não responder mais ao uso de analgésicos, a dor torna-se continua e com piora a noite. E por ultimo percebe-se massa tumoral palpável. Alguns tumores benignos também causam dor noturna, como é o caso do osteoma osteóide e osteoblastoma.

Os tumores ósseo benignos não agressivos, normalmente não há dor, apenas massa palpável (ex. osteocondroma) e às vezes são diagnosticados por radiografias feitas por outro motivo (ex. fibroma não ossificante), ou fraturas por trauma de baixa energia (ex. cisto ósseo simples).

Os tumores de partes moles (músculo, tendões, nervos, tecido gorduroso) não causam dor, nestes casos a dor surge somente quando comprime estruturas importantes como vasos e nervos.

Quanto suspeitar que o paciente seja portador de tumor?

DEVEMOS PRESTAR ATENÇÃO NA HISTORIA DO PACIENTE.

Paciente com dor que respondem parcialmente ao uso de analgésicos comuns, que estão aumentando de intensidade com o passar do tempo, dor noturna, continua , devemos incluir os tumores ósseos como um possível diagnostico. (incluir nos diagnósticos diferenciais).

EXAME FÍSICO:

Avaliar:

  • Tumor palpável – visível
  • Consistência
  • Aderido ou não aos planos profundos ou superficiais
  • Mobilidade
  • Tamanho
  • Vascularização
  • Atrofia muscular
  • Alteração da função articular
  • Derrame articular
  • Fratura patológica

 

EXAMES DE IMAGEM:

RADIOGRAFIAS: É possível obter informações gerais sobre o tumor.

Os tumores ósseos são visto em radiografias simples somente quando no mínimo 30 a 50 % do osso foi comprometido, 20% das radiografias são normais no momento da primeira consulta

  • Localização anatômica
  • Zona de transição entre o osso hospedeiro e tumor
  • Reação periostal
  • Lesão litica ou blástica
  • Invade partes moles
  • Rompeu a cortical
  • Confinado ao osso
  • Fraturas

 

TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADA

  • Importante para pequenas lesões corticais
  • Mostra o comprometimento da cortical óssea
  • Detectar lesões metastáticas de pulmão e fígado

Ressonância nuclear magnética

  • Delineia os tecidos moles e as margens de tumores ósseos na gordura e tecido adjacentes
  • Mostra as margens axiais, coronais e sagitais
  • A invasão intra e extra- óssea do tumor
  • Presença de skip metástases
  • Comprometimento da epífise e da placa de crescimento

 

CINTILOGRAFIA

  • Sensível e não especifico
  • Detecta aumento de hipervascularização local
  • Importante no estadimento dos tumores e detecção de metástases ósseas

 

EXAMES HEMATOLÓGICOS

Valor limitado

  • Fosfatase alcalina - está aumentado 50% dos osteossarcomas, é mais importante no acompanhamento do paciente durante o seguimento ambulatorial. Caso haja aumento dos níveis séricos pode significar que presença de metástase.
  • Eletroforese de proteínas : os níveis séricos estão aumentandos em 95% dos pacientes com mieloma múltiplo
  • PSA- tumor de próstata- não é possível fazer diagnostico somente com avaliação dos níveis séricos –é importante na avaliação da progressão do doença.
  • CA15-3 indicativo atividade de tumor de mama e altamente sugestivo de metástase óssea.

 

BIOPSIA

É a retirada de tecido tumoral para exame histológico, pode ser por realizada por técnica percutânea (agulha).
Incisional (corte cirúrgico).
A vantagem da biopsia percutânea é:

  • Menor contaminação transversal
  • Baixo índice de infecção
  • Menor morbidade
  • Eficaz em 95 % dos casos

 

VANTAGEM DA BIÓPSIA INCISIONAL

Grande quantidade de material para exames

DESVANTAGEM

  • Maior morbidade
  • Maior risco de infecção
  • Maior contaminação transversal
  • Risco de hematoma e sangramento

 

A biópsia é uma etapa fundamental no tratamento dos tumores ósseos e de partes moles, sendo indispensável para o diagnóstico definitivo e para a identificação do padrão histológico do tumor. Somente após o resultado da biópsia é que se pode indicar o tratamento adequado. A realização da biopsia deve ser feita após a realização de todos os exames de imagem, e deve ser planejada. Quem deverá fazer este procedimento é o medico que irá realizar o tratamento cirúrgico, pois a biópsia em local inadequado pode piorar o prognostico do paciente e impedir a preservação do membro acometido.

Diagnostico definitivo somente pode ser feito com associação da historia clinica do paciente, exame físico, exames de imagem, biopsia.

Lembre-se que a biopsia não é atalho para diagnostico

Tratamento:

Geralmente é multidisciplinar, realizado por oncologista clinico (quimioterapia), oncologista ortopédico, oncologista cirúrgico.

 

 

 

Deixe um comentário

Certifique-se de preencher os campos indicados com (*). Não é permitido código HTML.